terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

John Knox: homem piedoso que levou a Escócia a Cristo

Os cristãos ocidentais do século XXI reclamam demais de “barriga cheia”. Hoje em dia, nenhum cristão no Brasil aponta o dedo mostrando os erros doutrinários das seitas, dos hereges e dos religiosos que na prática negam a eficácia do sangue de Cristo. O politicamente correto, a liberdade religiosa e de pensamento, a democracia e tantas outras circunstâncias nos fazem temer a repreensão do povo quanto às verdades bíblicas. Hoje, tudo o que é preceito cristão é considerado retrógrado e os seguidores de Cristo são atacados psicologicamente, socialmente e profissionalmente. Cristãos piedosos no Brasil vivem essa realidade do dia a dia e nem é necessário discutir sobre o assunto.

Agora imaginemos um cenário bem mais fechado, onde os seguidores de Cristo, os protestantes que negavam a idolatria católica, eram queimados vivos a mando dos reis. Essa era a circunstância sob a qual se encontrava John Knox, contemporâneo de João Calvino, em pleno século XVI, durante a efervescência da Reforma Protestante. Considerado o “Jeremias” do nosso tempo, Knox não temia o poder da sanguinária rainha Maria e não se submetia ao poderio da Igreja Católica. Ele expunha a idolatria e convocava o povo ao arrependimento na Escócia.

O livro “A poderosa fraqueza de John Knox”, escrito pelo presbítero estadunidense Douglas Bond, traça o perfil do pregador conhecido por ser pequeno, fraco e doente, mas com poder nas palavras que assustava até a rainha. Homem de fé, perseverava na oração e na sã doutrina e insistia nos ensinamentos bíblicos. Ele foi considerado “estúpido” e “misógino” por muitas pessoas que não entenderam sua mensagem e até hoje é rejeitado por muitos pensadores escoceses.

Interessante que no início da obra o escritor logo afirma que homens que foram vocacionados para serem profetas são geralmente figuras solitárias, não são gentis em suas palavras, mas enfáticos e impopulares ao declararem a Palavra de Deus a inimigos dela. “John Knox sentia para com os idólatras da Escócia como Elias para com os sacerdotes de Baal”, escreveu o historiador Roland Bainton. Falecido em 1572, ninguém sabe ao certo o ano de seu nascimento, mas seu extenso legado tem levado a Cristo milhões de pessoas desde o século XVI.

Knox era um homem de oração. Ele sabia o quanto era fraco e estava debaixo de constante ameaça. Ele se submetia ao poderio de Deus através da oração. A rainha regente Maria de Guise admitiu que tinha “mais medo das orações de Knox do que de um exército de dez mil homens”. Certa vez, esse reformador disse: “A oração é uma conversa sincera e familiar com Deus”. Para Charles Spurgeon, “quando John Knox subiu as escadas para interceder a Deus pela Escócia, foi o maior evento na história da Escócia”.

Nenhum homem deve pensar-se indigno de chamar e orar a Deus por ter, no passado, ofendido gravemente a sua Majestade. Deverá vir a Deus com coração contrito e arrependido, dizendo como Davi: ‘Sara a minha alma, porque pequei contra ti’ (Sl. 41.4)”, disse John Knox. “Problemas e dificuldades são as esporas à oração, pois, quando o homem, cercado de todos os lados por veementes calamidades, aborrecido por solicitudes contínuas (não tendo no ser humano esperança de livramento, estando com coração oprimido e magoado, temendo ainda maior castigo a seguir) clama das profundezas da tribulação, a Deus, pedindo consolo e sustento, tal oração ascende à presença de Deus e não voltará vazia”, afirmou John Knox.

Além de homem piedoso e de oração, Knox tinha como centro de sua vida e de suas pregações a Palavra de Deus. Para ele, as pessoas precisavam ouvir as verdades do evangelho, sem necessitar de nenhum artifício. Já que absolutamente nada substitui a pregação – nem nosso testemunho, nem coisas mirabolantes que se colocam hoje nos cultos – Knox pregava porque sabia que era por meio da pregação que as pessoas se convertiam. As pessoas diziam que suas pregações causavam temor nos ouvintes. Ele ensinava sobre santificação, justificação e predestinação. Por causa das pregações de John Knox, a ira do povo se ascendeu contra a idolatria e as pessoas começaram a destruir imagens de santos, dando início ao movimento conhecido como iconoclastia.

As pregações do reformador escocês duravam em média de três a quatro horas e ele pregava cerca de três vezes por semana, inclusive chegou a pregar “na cara” da rainha. Mas Knox não era conhecido na época só por suas pregações enfáticas e suas orações fervorosas. Ele escrevia cartas de consolação.

Depois de muitos anos de persistência contra o catolicismo romano, Knox conseguiu reescrever a história da educação escocesa. No “Livro das Disciplinas”, ele estabeleceu o primeiro sistema educativo nacional no mundo ocidental. A nação protótipo para a alfabetização universal foi a Escócia Reformada e cada escola pública do país era uma escola cristã, tendo a bíblia em inglês e o Catecismo de Genebra como currículo básico. Ainda através desse livro, Knox conseguiu fazer com que dois terços das terras escocesas fossem para os clérigos (que tinham tudo) e um terço fosse dividido para o Parlamento e a Igreja Reformada. O Parlamento escocês aprovou a Confissão de Fé Escocesa e rejeitou o catolicismo romano.

A obra do presbítero Douglas Bond conclui com a Confissão de Fé Escocesa, substituída depois pela Confissão de Fé de Westminster. O escritor leciona literatura, redação e história, tem certificado em Teologia da Faculdade Teológica Moore, na Austrália, e é presbítero regente na Igreja Presbiteriana na América. É autor de livros de ficção e não ficção cristãos.

O livro faz parte da série “Um perfil de homens piedosos”, da editora Fiel, que conta com 10 obras na coleção. Outros perfis da coleção são João Calvino, John Owen, William Tyndale, Martinho Lutero, Martyn Lloyd-Jones, Jonathan Edwards, Isaac Watts, Charles Spurgeon e George Whitefield.

O que disseram:

Embora eu ame John Knox, raramente gosto de ler a seu respeito. A maioria de seus biógrafos me deixam sentido-me um verme diante desse poderoso leão da Escócia. Mas, para minha surpresa, este livro levantou meu ânimo e ainda me inspira. Por que? Porque Douglas Bond cativou e comunicou o segredo do poder de John Knox – uma fraqueza autenticamente sentida e abertamente confessada que dependia diária e totalmente da graça e misericórdia de Jesus Cristo. Poderosa fraqueza – que grande encorajasamento para todos os vermes que desejam se leões”, Dr. David Murray, professor de Antigo Testamento e de Teologia Prática no Seminário Teológico Puritano Reformado de Grand Rapid, Michigan.

No compasso desse pequeno volume, parece que Douglas Bond consegue juntar todos os misteriosos paradoxos da vida de John Knox: púlpito trovejante e intercessões íntimas, elevando intelecto e humilde vida no lar. Ousadia e brandura, força e fraqueza. Noutras palavras, Bond apreendeu a própria essência desse surpreendente modelo para um ministério reformador”, Dr. George Grant, pastor da Igreja Presbiteriana de East Parish Franklin, Tenessee.

Ficha técnica
Obra: A poderosa fraqueza de John Knox
Coleção: Um perfil de homens piedosos
Autor: Douglas Bond
Editora: Fiel
Páginas: 156
Ano: 2011

Preço na editora: R$ 35,00

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

O livro que mudou minha visão sobre culto

Depois da leitura de “O culto segundo Deus: A mensagem de Malaquias para a igreja de hoje” nunca mais vou ler este livro profético como antes. A obra de Augustus Nicodemus destrincha como Malaquias admoestou o povo a retomar o culto a Deus da maneira que agradava ao Senhor. O livro, publicado pela Vida Nova, nada mais é que a compilação de estudos bíblicos sobre a profecia de Malaquias elaborados pelo escritor para o público jovem. A obra é fundamental para quem deseja entender os critérios do culto que agrada a Deus.

Nicodemus divide a obra em oito capítulos. Em todo o momento do autor expõe as perguntas cínicas feitas pelo povo de Deus que questionava o tempo inteiro o propósito de cultuar a Deus e servi-lo. No primeiro capítulo do livro, ele mostra como Deus prova o seu amor para com o seu povo que questionava se era amado ou não. Deus quebra os argumentos dos reclamadores mostrando que escolheu a descendência de Jacó e não de Esaú para ser sua propriedade exclusiva. Ele mostra seu amor afirmando que somos peregrinos e aguardamos nossa morada celestial, nossa verdadeira casa.

Saber que pertencemos a essa comunidade é uma evidência do amor de Deus, cuja maior expressão é Jesus Cristo, morrendo na cruz por nós para pagar por nossos pecados, a fim de que pudéssemos ativamente herdar a terra prometida, a Nova Jerusalém celestial, a glória eterna”, p. 26.

A primeira atitude que Deus espera de seus verdadeiros adoradores em seu culto é que eles não questionem o amor do Senhor pelo seu povo. Deus quer que os seus filhos o adorem por reconhecerem que são amados pelo Pai, sem nada em troca. O Pai ama seus filhos porque os escolheu sem que neles houvesse coisa boa. A nossa devoção e nosso culto a Deus não podem depender das circunstâncias.

Em segundo lugar, o autor do livro trabalha o fato de que Deus exige devoção verdadeira e sinceridade de coração em seu culto. Na época de Malaquias, o povo estava ofertando sacrifícios que desagradavam a Deus, levando animais fora dos padrões exigidos. O pior de tudo eram os profetas que não repreendiam o povo e sacrificavam mesmo assim os animais, mas Deus não recebia o sacrifício. “Deus tem zelo pelo seu nome, sua glória e sua reputação. Tudo isso estava sendo descartado pelos sacerdotes e essa era a queixa de Deus: ele não estava recebendo a honra e a glória que lhe eram devidas”, p. 35.

Conforme Nicodemus, há um problema gravíssimo na igreja de hoje. As pessoas querem cultuar a Deus de qualquer jeito, sem levar o culto a sério, como se fosse qualquer coisa. A grande questão é que é no culto onde se desemboca o que o povo pensa a respeito de Deus, o que a liderança pensa a respeito de quem é o Senhor, sendo este momento a expressão pública do que a igreja pensa sobre Deus. Podemos até querer adorar da maneira que bem entendemos, com coração bem intencionado, como fez o povo naquela época, que chegava a chorar sem saber o porquê de suas ofertas não estarem sendo aprazíveis, mas quem regulamenta o culto não é o nosso coração, mas Deus.

Há dois motivos pelos quais Deus não aceita o culto a ele oferecido: primeiro, quando não está dentro do padrão que ele estabeleceu e, segundo, quando está contaminado por uma atitude de desprezo, pouco caso ou indiferença. Quem pensa que esse princípio mudou no Novo Testamento está redondamente enganado”, p.41.

O que Deus queria era que seu povo o priorizasse, o amasse sobre todas as coisas e demonstrasse isso através do culto. Naquele momento, o ato de sacrificar qualquer tipo de animal, fora dos padrões, representava a quebra da Aliança e da Lei. Hoje em dia, há muitas pessoas que estão entediadas e oferecem o culto de qualquer maneira, inclusive pastores. Mas Deus afirma categoricamente que não recebe esse tipo de culto. Para Deus, é preferível a porta da igreja estar fechada (Malaquias 1:10).

A terceira situação que Augustus Nicodemus trata é que, além de Deus exigir que saibamos o quanto Ele nos ama e que o culto deve ser feito de maneira honrosa e com coração devoto, é necessário que a Palavra seja pregada de maneira fiel, algo que os sacerdotes não estavam fazendo. Aos sacerdotes não cabia apenas a função de levar as ofertas ao altar, mas ensinar o povo, única maneira de fazê-lo se desviar da iniquidade.

Deus é o mesmo em ambos os testamentos; o que acontece tão somente é que a mesma aliança foi administrada em duas dispensações diferentes. Deus é o mesmo e seu culto em essência também não é diferente”, p. 69. A centralidade da Palavra no culto é fundamental.

Mas, vem então a quarta lição sobre culto. Deus não recebe culto de quem tem vida pessoal imoral. Não adianta chorarmos ao Senhor no culto e na nossa vida íntima estarmos contaminados pelo pecado. Os homens na época de Malaquias estavam deixando suas mulheres e casando-se com mulheres que não faziam parte da aliança e adoravam outros deuses. Deus abomina o jugo desigual e não aceita culto de filhos rebeldes.

Existe uma relação estreita entre minha vida, a minha conduta moral e o culto que Deus aceita”, p. 81. A passagem de Malaquias 2. 10-16 é um claro chamamento ao arrependimento. Só com coração puro e longe do pecado é que o povo de Deus poderá cultuá-lo de maneira agradável.

Outro questionamento feito pelo povo a Deus era sobre o motivo de outros povos com culturas pagãs estarem aparentemente em melhores condições que o povo escolhido. Mas Deus responde que haverá um dia que ele julgará todo o mal e assim será vista a diferente entre quem serve a Deus e quem não serve. Temos que continuar cultuando a Deus na confiança de que um dia tudo será julgado e exposto às claras, quando será feita a distinção entre o povo amado e o povo sobre quem a ira de Deus permanece. Independente das circunstâncias, devemos confiar sem duvidar e permanecer cultuando a Deus.

Além disso tudo, Deus exige de seus filhos obediência. O povo pecava ao roubar nos dízimos e ofertas, essenciais para o sustento de viúvas, levitas, órfãos e uma parte para sacrifícios. Quando se desobedecia à ordem, gerava um caos social para o próprio povo. Precisamos considerar que devemos obediência ao Senhor em tudo, inclusive nas ofertas essenciais para o sustento hoje das obras do Senhor e também observando as necessidades do povo de Deus.

Por fim, cultuar a Deus exige temor. Precisamos adorá-lo e servi-lo tem todo o tempo, de todo o coração sem esperar nada em troca. Sabendo que seu amor por nós é medido pelo livramento que nos dará, pois já nos separou para vivermos na eternidade com ele.

Confesso que depois da leitura do livro estou com uma visão mais clara a respeito do culto. Embora sabendo algumas regras, conhecer melhor à luz do Antigo Testamento o culto aprazível a Deus é indispensável para entendermos o que podemos fazer ou não no culto hoje. O livro é muito claro, com expressões acessíveis a todos os públicos e de fácil entendimento. Através do livro, pude entender, depois de 30 anos de igreja, qual de fato é a essência do culto público a Deus.

O que disseram:

Recomendo esta obra a todos aqueles que almejam celebrar a glória do Deus trino em lealdade às Escrituras Sagradas. O leitor descobrirá que, a tratar do culto público que agrada a Deus, Augustus Nicodemus faz com que o profeta Malaquias se torne nosso contemporâneo”, Franklin Ferreira, consultor acadêmico da Vida Nova e diretor do Seminário Martin Bucer.

O livro do Dr. Augustus Nicodemus tem muito a contribuir para o entendimento do culto segundo as Escrituras Sagradas. A partir de uma leitura contextualizada do livro de Malaquias, o Rev. Augustus aborda um assunto muito necessário nos dias atuais, a respeito do qual há grande confusão. O livro descreve de forma simples e profunda os ensinamentos sobre o culto que Deus requer de nós, trazendo relevante contribuição para o tema, não só da perspectiva teórica, mas também prática. Recomendo enfaticamente”, Leandro Lima, pastor titular da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, professor de teologia, mestre em Ciências da Religião e Teologia Histórica, doutor em Literatura.

Ficha técnica
Obra: O culto segundo Deus: A mensagem de Malaquias para a igreja de hoje
Autor: Augustus Nicodemus
Editora: Vida Nova
Páginas: 156
Ano: 2012
Preço na editora: R$ 34,90

Jornal do SBT mostra a importância da leitura infantil