quarta-feira, 29 de maio de 2013

Poema com Pessoa

As nuvens são sombrias

As nuvens são sombrias
Mas, nos lados do sul,
Um bocado do céu
É tristemente azul.

Assim, no pensamento,
Sem haver solução,
Há um bocado que lembra
Que existe o coração.

E esse bocado é que é
A verdade que está
A ser beleza eterna
Para além do que há.

Fernando Pessoa

Poesias Inéditas

Poema com Quintana (2)

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mário Quintana

Esconderijos do Tempo, p. 19

Como limpar e guardar livros

Por: Raiane Nogueira*

Nada desagrada mais a um amante de literatura do que ver suas obras preferidas malconservadas, com capas soltas e páginas amareladas ou rasgadas. Mas aumentar a vida útil dos livros requer cuidados especiais como a limpeza e o armazenamento.

Umidade e temperatura inadequada são os grandes inimigos dos livros. Esses agentes facilitam a proliferação de fungos e alteram a estrutura física das obras, com a geração de manchas e ondulações. A exposição ao sol também é nociva.


— Mas o principal causador de danos é o homem, por segurar os livros de forma incorreta, forçar sua abertura, fazer dobras nas páginas, inserir clipes de metal, manusear alimentos e bebidas durante a leitura — o que pode acarretar a infestação de insetos — e umedecer os dedos ao folhear — alerta o restaurador da Secretaria do Patrimônio da União do Rio de Janeiro, Jucemir Pimenta.

Coordenador de conservação da Biblioteca Nacional, Jayme Spinelli ensina a guardá-los adequadamente:
— A melhor forma de armazenamento é em pé, na estante, com o apoio de bibliocantos, aparadores vendidos em papelarias. Deve-se manter os livros sempre limpos e vistoriá-los com frequência.

Contra o amarelamento das páginas, Jayme Spinelli afirma que não há solução.

— O fenômeno ocorre devido à acidificação do papel, comum em livros mais novos. É irreversível — afirma o coordenador.

Tire suas dúvidas
 
Qual é a maneira mais adequada para limpar os livros?
A maneira mais correta é com o uso de trinchas largas, com pelo macio, fazendo-se uma varredura, folha a folha, da sujeira acumulada. Este processo deve ser feito no sentido de dentro para fora, em ambiente ventilado, com o uso de máscaras e luvas descartáveis. Nunca utilize pano úmido para a limpeza de capas de livros. Passe somente uma flanela seca.

Como se livrar do mofo acumulado em livros há muito tempo sem uso?
O mofo é causado pela ação da temperatura e da umidade elevadas. Quando um livro apresenta este tipo de ataque, nunca devemos colocá-lo no sol. Deixe-o num ambiente arejado, abra-o em forma de leque para que todas as folhas sequem e, em seguida, procure um técnico especializado. Não utilize produtos químicos.

Como evitar a ação de cupins nos livros?
A ação de cupins só se dá após a infestação de alguma área ou mobiliário. O tratamento de desinfestação desse mobiliário ou dessa área física deve ser feito por uma empresa especializada. Jamais use produtos químicos diretamente no acervo. O tratamento dos livros só poderá ser efetuado por um técnico em conservação de acervos.

Perguntas respondidas por Jucemir Pimenta, restaurador da Secretaria do Patrimônio da União do Rio de Janeiro. 

*Fonte: http://extra.globo.com/casa/faca-voce-mesmo/como-limpar-guardar-livros-2857859.html

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Teoria da Comunicação e Teorias da Comunicação

Dois excelentes livros para estudantes de Comunicação e concurseiros nesta área foram publicados pela editora Vozes em 2009 e outro, pela primeira vez, em 2001. Trata-se dos livros Teoria da Comunicação: Ideias, conceitos e métodos, de Luís Mauro Sá Martino (2009), e Teorias da Comunicação: Conceitos, escolas e tendências, organizado por Hohlfeldt, Martino e França (2001), cuja edição que tenho já é a nona, publicada em 2010.

A obra de Sá Martino (2009) é de fundamental importância para quem inicia os estudos sobre teorias da Comunicação. Com linguagem descomplicada, através de uma organização muito boa para elaboração do livro, o autor – que é jornalista, professor universitário e doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP – consegue levar o leitor a compreender melhor como ocorreram as primeiras pesquisas nesta área, e como a organização social e a crítica ao sistema econômico influenciaram os pensamentos de alguns teóricos. O livro também aborda estudos do período atual, quando a internet faz o papel de maior difusora dos conceitos sociais através da comunicação. O interessante desta obra é que no final de cada capítulo, o professor indica livros que ampliarão o conhecimento do leitor sobre cada teoria explanada. É como um resumo muito bem realizado e nada superficial sobre as teorias da comunicação. A profundidade maior está nas posteriores leituras que o interessado poderá fazer seguindo o guia dos livros citados pelo autor.

Já a publicação de Hohlfeldt, Martino e França (orgs.) é uma obra mais resumida, porém, se o estudante for ler os dois livros ao mesmo tempo, estudando cada teoria, ao comparar as duas obras perceberá que uma complementa a outra. Algumas vezes o livro de Sá Martino irá abordar aspectos não ressaltados pelo outro, e vice-versa. Nesta segunda obra citada neste texto,poderemos ler um capítulo sobre a pesquisa em comunicação na América Latina, tema não trabalhado no primeiro livro. O ponto de vista contemporâneo que tem Pierre Lévy como um dos principais teóricos da cybercultura que também é abordado na segunda obra, não é citado em Sá Martino. Em Hohlfeldt podemos ler também a comunicação nas civilizações antigas, que também não é explorado pela outra obra. O dinamismo também que sempre há em livros de pesquisas em que vários doutores em Comunicação escrevem sobre cada assunto tratado no livro torna esta obra muito proveitosa e enriquecedora.

Embora não sejam livros específicos de teóricos da Comunicação, os dois livros são essenciais para o estudante brasileiro que pretende conhecer melhor sobre o assunto e surge como excelente bússola para o pesquisador que pretende explorar essas teorias.

Título: Teoria da Comunicação: Ideias, conceitos e métodos
Autor: Luís Mauro Sá Martino
Gênero: Teorias da Comunicação
Editora: Vozes
Páginas: 290p.

Título: Teorias da Comunicação: Conceitos, escolas e tendências
Autor: Hohlfeldt, Martino e França (orgs.)
Gênero: Teorias da Comunicação
Editora: Vozes
Páginas: 314p.

sábado, 25 de maio de 2013

Book - a revolução tecnológica!

Moscou 1941


Moscou 1941: Uma cidade e seu povo na Guerra conta uma parte da História que geralmente não se ouve facilmente, muito menos nas escolas. O livro relata a trajetória de Moscou em plena 2ª Guerra Mundial e o sufoco vivido pelos russos durante a invasão alemã naquela cidade. Inicia-se com o Ano-Novo de 1941 e expõe como os moscovitas se integraram às tropas nacionais para defenderem a nação. Duas coisas interessantes relatadas são o fato de até os adolescentes de 12 anos desejarem proteger a Rússia e as mulheres se disporem em massa para batalhar.

Rodric Braithwaite mostra ser um grande pesquisador e redigiu toda a obra em forma de romance. Durante todo livro o leitor acaba percebendo algumas características peculiares ao povo russo, como o amor à pátria independente de qualquer situação, a força da mulher russa, a determinação do adolescente moscovita e a união entre o povo por um bem maior: a liberdade de sua nação. O autor relata como os alemães conseguiram invadir a Rússia, como se apossaram de Moscou e como foram derrotados e humilhados durante o rigoroso inverno russo.

O livro é muito bom, bem escrito e com edição impecável, como todos os livros de História da editora Record. Traz algumas fotografias de heróis da Guerra, em especial algumas mulheres. Expõe também as estratégias de Stálin e sua forma desumana de tratar os seus próprios militares. Todos os artistas da Rússia, inclusive bailarinos do Bolshói e músicos das orquestras eram obrigados a tocar canções populares a fim de elevar o ânimo e a moral dos combatentes. Muitos deles, famintos, morriam em plena apresentação artística. É um livro cheio de histórias chocantes, vibrantes e verdadeiras.

Título: Moscou 1941: Uma cidade e seu povo na Guerra
Autor: Rodric Braithwaite
Gênero: Livro-reportagem/História
Editora: Record
Páginas: 556p.

O que disseram:

“Um maravilhoso livro sobre a maior batalha de toda a História” – Washington Post
“Uma história emocionante e envolvente” – Daily Mail
“Excelente abordagem” – Sunday Times, Antony Beevor
“Um incrível épico, retratado vividamente” – Sunday Telegraph

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Abusado: O dono do morro Dona Marta

Abusado: O dono do morro Dona Marta faz tempo que li, mas como não havia resenhado antes, resolvi fazê-lo. Vencedor do prêmio Jabuti 2004 na categoria reportagem e melhor livro do ano não-ficção, a obra é interessantíssima. Primeiramente, muito bem elaborada, detalhista, bem redigida em forma de romance. Tem como personagem principal o chefe do tráfico daquele morro, anos antes de ser pacificado.

Há vários pontos a serem analisados e debatidos no que concerne à estrutura social brasileira, em especial a das grandiosas cidades. Lembrando que o livro é escrito pela ótica dos favelados, e não pela visão do restante da sociedade ou da Polícia Militar. Temos de um lado profissionais que deveriam prestar assistência à sociedade protegendo-a invertendo seu próprio papel social: aderindo ao tráfico, corrompendo-se. Por outro lado, temos pessoas extremamente marginalizadas que já nascem em ambientes com condições terríveis de habitação, educação, infraestrutura, saúde, enfim, vítimas do acelerado desenvolvimento econômico que contrasta com o lerdíssimo progresso social da nação.

O livro expõe a realidade completamente distinta de quem vive, trabalha e sobrevive em áreas comandadas pelo tráfico. O desenvolvimento da reportagem de Caco Barcellos é bastante instigante. O episódio em que ele narra a vinda de Michael Jackson ao Brasil e a filmagem do clipe They Don't Care About Us (confira logo abaixo) é espetacular! Como se deu as negociações entre os diretores do clipe, a aliança temporária firmada entre o tráfico e a PM para pacificar a favela durante a gravação, a raiva do Pode Público quando soube que esta informação havia vazado para a sociedade, as distorções das histórias verdadeiras, tudo muito bem relatado neste livro. Inclusive, o Dono do Morro está presente no vídeo! Sendo que eu não sei quem é, já tentei ver muitas vezes, mas não dá pra identificar qual deles é o Juliano.

O final da obra foi mudado algumas vezes, pois logo quando foi lançada a primeira edição, o Dono do Morro ainda estava vivo. A edição que li foi a 21ª. O livro vale muito a pena ser lido. O único risco que você corre é de começar a falar com a linguagem do tráfico... Aconteceu comigo! Eu vivi dentro do livro durante minha leitura, e foi bastante interessante esta experiência. É aventura do começo ao fim! Indispensável para jornalistas brasileiros. 

Título: Abusado: o dono do morro Dona Marta
Autor: Caco Barcellos
Gênero: Livro-reportagem
Editora: Record
Páginas: 560p.

O que disseram:

“Radiografia do tráfico” – Época

“Com linguagem ágil e dinâmica, em que transcreve ao pé da letra o modo como aquela população se expressa, ele traça a trajetória de Juliano VP da infância até sua entrada e ascensão no tráfico de drogas na favela e a implantação do Comando Vermelho” – Valor

“A leitura de Abusado é vasta de histórias de amor e lealdade, bem como de operações e fugas mirabolantes, aparentemente só possíveis no cinema, mas que se repetem todos os dias” – IstoÉ Gente

“O livro equilibra tanto as características de bom romance quanto a obsessiva apuração que constrói uma boa reportagem” – Zero Hora

Abaixo, clipe They Don't Care About Us, de Michael Jackson:

Poema com Cecília

Retrato

 Eu não tinha esse rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem esse lábio amargo.

Eu não tinha essas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha esse coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Cecília Meireles



terça-feira, 21 de maio de 2013

Prefiro os livros...

Procuro o que escrever


Tenho que escrever, nem que seja uma besteira. Posso me livrar do facebook, do twitter, do e-mail... Posso até fingir que não tenho trabalho e por uns instantes acreditar que sou livre, eternamente livre dele. Mas não consigo me desvincular do blog. Já tentei fazer greve de blog, já refiz o blog três vezes, tinha um antigo que me desfiz e fiz este. Mas, de fato, não sei o porquê de ser tão difícil dizer não a ele.

Estou aprisionada. Sim, estou! Estou presa, encarcerada. Ele me aprisionou. Contudo, na verdade, sou e estou livre. O que acontece nestes dias – ou naqueles – é que me prendi por pura vontade. Coloquei algemas em meus punhos e escrevo, para sempre escrevo. Não, acho que não... Talvez esteja mentindo. Talvez minha mente tenha me aprisionado a ele. Mas talvez não. Fui eu mesma que me prendi!

Ah! Mas preciso ser ainda mais sincera. Não estou presa ao blog, mas às letras. Quando era criança já descobria em mim esse defeito. Não me livrava de um caderno que transbordava poesia. Escrevia poemas de todas as espécies: desde os que davam glórias a Deus, até as minhas infelicidades de adolescente. Aqueles que davam glórias a Deus eram mais comuns na infância, mas não deixaram de existir na adolescência.

Eu tinha um caso com aquele caderno. Só podia ser isso! Dos meus dez aos catorze anos tive um convívio forte com ele, mas aos quinze, simplesmente o rasguei! Não, não sei por que o rasguei. Até hoje me torturo quando lembro daquela decisão. Atitude estúpida, insensata! Mas talvez não fosse tão insana assim. Talvez eu quisesse me libertar dele! Aquele caderno me aprisionava! Minto. Não era o caderno que me aprisionava, mas eram as letras!

Fui a primeira a terminar a cartilha na alfabetização. Mas não foi daí que elas passaram a me atormentar. Foi um pouco antes... (Neste momento imagine as nuvens, aquela fumaça que encobre o momento para alcançar um passado. Mas não vá muito longe, é um passado perto – perto da alfabetização, claro). Antes daquilo, as letras já me perturbavam em casa. Ganhei o livro “O rato roeu a roupa” – diga-se de passagem, ainda é editado e com a mesma capa! – e fiquei passando as páginas. Minha mãe leu para mim aquela história. Voltei todas as páginas. Comecei a querer saber ler, e ela me ensinava. 

As letras começaram a me perseguir dia e noite. Não parava de escrever. Estava na primeira série do primário, e minha professora Socorro dizia que eu ia ser escritora. Elas me perseguiam! Juro, elas me perseguiam! Na quarta série eu era muito elogiada pelos meus textos e poemas. Eu amava aqueles elogios e me sentia cada vez mais presa – a elas, não a eles! Será que estou mentindo? Estava presa a elas ou a eles? Não sei, não me lembro...

Anos depois, no último ano do Ensino Fundamental, outra professora amava meus textos. Gostava dos poemas e dizia: “Você vai ser escritora?”. Quer dizer, ela não dizia. Acho que estou inventando. Mas ela disse nitidamente que eu havia vencido o concurso de poesias, disso eu me recordo. Mas o olhar dela dizia que eu seria escritora. Não lembro o nome dela, que estupidez a minha! Não lembro o nome da que me fez chorar quando disse que não poderia mais ensinar naquele colégio. Só recordo seu rosto, seu sorriso e seus cabelos.

Eu não sei o que me deu ao entrar na graduação de Comunicação... Eu não gostava de me comunicar, aliás, eu detestava. Mas eu pensava que só iria escrever e escrever. Ledo engano. Como pude ser tão inocente! Mas sobre isso não desejo falar agora. A problemática é apenas uma neste momento: a prisão. Eu não sei por qual motivo não me livro delas! Elas não me dão sossego nem para dormir. Quando não são elas, são eles – os livros. Eu sonho com as histórias dos livros e na maioria das vezes, deleito-me. Mas por quê?

Acabei de ler “Memórias do Subsolo”, mas não quis escrever como ele. Dostoiévski é inimitável, mas acho que queria imitá-lo. Não, na verdade não queria. Queria ser ele! Não, também não queria. Ele sofreu demais na vida, mas são as letras dele que me perseguem! Ou será a mente dele? Por que ele dentre tantos? Na verdade eu sei o porquê. Vou contar, mas é segredo nosso. É que essa prisioneira se identifica com a mente dele, a mente! Não que pense do jeito dele, mas no emocional são idênticos. Eis o mistério.

Mas, voltando, tenho que escrever nem que seja uma besteira. Só não sei o quê. Estou procurando ainda o que escrever. Mas agora já é tarde. O texto já está grande. Amanhã escrevo.

Os fantásticos livros voadores do Sr. Morris Lessmore

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Sr. Cid e seus milhares de livros lidos

José Maria Tomazela - O Estado de S. Paulo
 
SOROCABA - O aposentado Cid Odin Arruda, de Sorocaba, acaba de atingir um recorde: aos 95 anos, ele alcançou a marca de dez mil livros lidos. Simbolicamente, o décimo milésimo volume foi retirado no último dia 9 do Gabinete de Leitura Sorocabano, quando Arruda levou para casa o volumoso “O Cemitério de Praga”, do escritor Umberto Eco. “Estava curioso, mas fiquei um pouco decepcionado com a história”, comentou três dias depois, com a leitura quase no final. A marca obtida pelo homem que se diz “viciado em livros” é simbólica. A rigor, ele acha que leu alguns milhares de títulos a mais. “Antes, minha média era de quatro livros por semana”, diz.

O aposentado não guarda livros em casa. Ele prefere viajar em busca de boas leituras e se tornou conhecido em bibliotecas até de outros Estados, como o Rio de Janeiro, Minas Gerais e Goiás. Em Guarapari (ES), esteve 22 vezes e em todas visitou a biblioteca. Funcionários desses locais veem-se no dilema de encontrar um livro que Arruda ainda não tenha lido e já se referem a ele como o “senhor Biblioteca”. No Gabinete de Leitura, em Sorocaba, fundado em 1866, ele é um dos sócios vivos mais antigos. Em 2008, foi agraciado com a medalha cultural concedida a pessoas compromissadas com a cultura. O problema é que ele já leu quase todo o acervo, segundo a funcionária Nilcéia Alves dos Santos. “Quando ele pede um livro, tenho de buscar lançamentos.”
Cid Odin Arruda

Na companhia da mulher, a professora Elza Bertazini Bracher, de 86 anos, também amante dos livros, Arruda viaja entre oito e dez vezes por ano e escolhe como destino cidades que têm bibliotecas. Ele prefere edições volumosas, mas com personagens bem definidos. Um de seus recordes foi um livro de 1.110 páginas lido em cinco dias. “Sou ruim para nomes, mas lembro que a coleção mais detalhada de Os Miseráveis (Vitor Hugo), com sete volumes, foi lida em uma semana.”

O hábito da leitura vem de família. O avô, José Antão de Arruda, foi o primeiro bibliotecário do Gabinete Sorocabano, cargo depois exercido por seu pai, José Odin de Arruda. Era função do bibliotecário indicar livros para estudantes e sócios. “Como meu pai não tinha tempo de ler todos, pegava um pacote de livros e pedia que eu lesse e contasse a história para ele.” O então menino de 12 anos pegou gosto. “Lia às vezes um livro inteiro no dia e, quando eu dizia que era ruim, meu pai vetava.” Ele também era incentivado pela mãe, professora.

Apesar da paixão pela leitura, Arruda não gostava de estudar e, ao contrário dos pais, que hoje dão nome a escolas da cidade, não se tornou professor. “Sempre preferi o comércio e só estudei até o primeiro ano da antiga escola normal.” Arruda leu todos os clássicos, de “Os Lusíadas” (Camões) a “Dr. Jivago” (Boris Pasternak) e a Bíblia completa, várias vezes. Entre os preferidos estão obras que versam sobre reis, imperadores e faraós. Entre os brasileiros, Machado de Assis, Graciliano Ramos e Jorge Amado. “Oh, caboclo bom!”, diz sobre o baiano. Sobre os autores modernos, uma crítica. “Eles criam personagens demais, deixam o livro difícil de entender.” Arruda ainda toma ônibus para ir à biblioteca e se considera um dos mais antigos leitores do Estadão. “Ele é um fã, a primeira coisa que lê na biblioteca é o jornal”, diz dona Elza.

Fonte: Estadão (http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,aos-95-anos-aposentado-de-sorocaba-diz-ter-alcancado-a-marca-de-dez-mil-livros-lidos,1032541,0.htm)

Cartas entre Freud e Pfister



Cartas entre Freud e Pfister: Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã surpreendeu-me por expor o Pai da Psicanálise como um senhor muito bondoso e simpático. Fiquei encantada com a forma tranquila e paciente que Freud lidava com adversários intelectuais. Nunca imaginei que o pastor Oskar Pfister tivesse integrado o rol de amigos íntimos da família Freud. Um ateu e um cristão unidos por laços fraternais e pela psicanálise, muito embora com pontos divergentes de pensamento.

O livro é uma compilação de quase todas as correspondências entre os dois psicanalistas entre os anos de 1909 e 1939. Os contatos foram iniciados através de uma correspondência em que Pfister, em torno de treze anos mais novo que Freud, expunha seu interesse sobre a psicanálise e enviou a Freud seu trabalho Representações delirantes e suicídio de alunos, momento em que começava a se aprofundar nos estudos sobre psicanálise.

Durante trinta ininterruptos anos os dois amigos trocaram muitas cartas, pensamentos e firmaram cada vez mais elos de fraternidade, não apenas entre eles, mas as duas famílias se tornaram bastante próximas. Na exposição das cartas neste livro, foram poupadas muitas histórias e muitos nomes de pessoas envolvidas e, por vezes, o leitor fica naquela expectativa de saber os pormenores das situações descritas, mas que jamais serão completamente divulgadas. As cartas só se encerram com o falecimento de Freud, quando Pfister envia uma correspondência à viúva daquele doutor.

Título: Cartas entre Freud & Pfister (1909-1939): Um diálogo entre a psicanálise e a fé cristã
Autor: Orgs. Ernest L. Freud, Heinrich Meng.
Gênero: Psicanálise/Religião
Editora: Ultimato
Páginas: 200p.

domingo, 19 de maio de 2013

Marco Antônio

Meu
Anjinho, o
Rosto mais belo, o
Corpo mais perfeito, meu
Orgulho!

Amor da minha vida,
Nunca imaginei que um dia
Teria o seu amor!
Os meus olhos hoje brilham,
No mais doce esplendor dos
Incontáveis momentos em que
O meu coração explode ao recordar o teu calor...

Como organizar uma biblioteca em casa

1) Livros podem estar agrupados por gênero (romances policiais, literatura latino-americana), por autor ou por ordem alfabética (de nome ou de título). Mas você precisa descobrir como se sente melhor para procurar e encontrar sem demora os seus livros.

2) Livros de arte, como fotografia, dão volume e são sempre um prazer ao alcance dos olhos. Dê movimento à sua estante escolhendo alguns deles para deixar com a capa à mostra.

3) Livros com a capa danificada pedem encadernação nova - menos que se trate de uma raridade. Há quem encape vários livros com papel de uma mesma cor para dar à estante um aspecto mais organizado. Mas os verdadeiros amantes de livro ficam de cabelo em pé ao ouvir isso. Assumir que os livros têm cores e tamanhos diferentes é mais rico, sincero e benéfico para a sua decoração.

4) Coloque alguns volumes deitados e outros de pé. Essa disposição dá movimento à estante. Evite a monotonia.

5) A profundidade ideal para uma estante de revistas é de 25 cm. Uma medida maior deixaria um espaço vazio bom para acumular pó. Já os livros de arte pedem 35 cm. Deixe 40 cm de altura entre uma prateleira e outra - assim você acomoda desde pilhas de revistas até as edições maiores.

6) Empilhe as revistas por título, em ordem de lançamento - assim, a mais nova sempre estará em cima.

7) Revistas de assinatura mensal não devem formar pilhas de mais de três anos (36 exemplares). A consulta fica muito complicada.

8) As edições mais antigas precisam ceder espaço às mais novas. Faça uma doação. Em
escolas e hospitais elas são sempre bem-vindas.

9) Edições avulsas podem ser agrupadas. Se possível faça o agrupamento respeitando o tamanho e o assunto de que elas tratam.

10) Porta-retratos, bolas de vidro e outras peças queridas trazem equilíbrio quando dispostas junto aos livros. Agrupe os itens semelhantes e observe a simetria: se há um nicho com porta-retratos de um lado, faça um nicho de volume parecido do outro - com livros ou uma caixa.

Fonte: Casa Abril (http://casa.abril.com.br/materia/10-dicas-para-organizar-a-biblioteca)

Financiamento para livraria Cultura

A notícia de que o BNDES aprovou financiamento de R$ 28 milhões para a Livraria Cultura investir na expansão da rede e na modernização de suas lojas foi recebida pela Associação Nacional de Livrarias (ANL) como um empurrão para uma aproximação entre as independentes e o banco.

“Vemos com bons olhos o financiamento que a Cultura recebeu, mas queremos que o Governo dê empréstimos com valores menores para atender os pequenos e médios livreiros. Nem todos têm coragem de chegar e pedir um empréstimo de R$ 1 milhão, que é o valor mínimo. Vamos a Brasília tentar diminuir esse valor. R$ 500 mil seria bom”, diz Ednilson Xavier, presidente da entidade.

Com a verba, a Cultura abrirá três lojas (Shopping Iguatemi, em São Paulo, Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, e Shopping Iguatemi, em Ribeirão) e seis lojas Geek.etc.br, como a do Conjunto Nacional. De acordo com o BNDES, o recurso será usado também para construir um centro de distribuição em Guarulhos, entre outros fins.

Em 2011, a Cultura recebeu outro financiamento do BNDES – no valor de R$ 31,7 milhões. Segundo informações da época, os recursos financiariam 69% do plano de investimento da rede, que previa a abertura de cinco lojas (Manaus, Recife, Curitiba e duas no Rio – a do Fashion Mall, na foto abaixo, e a do Cine Vitória).


Déficit. Para a Unesco, deveria haver uma livraria para cada 10 mil habitantes. Pelo último Censo, 193.946.886 vivem no Brasil. Segundo levantamento da ANL, existem 3.073 livrarias no País. Isso dá uma para cada 63 mil habitantes.

A região Sudeste concentra 52,5% das livrarias e é seguida pela região Sul (20%), Nordeste (17%), Centro-oeste (4%), Norte (3,5%) e DF (3%) .

Fonte: O Estadão (http://blogs.estadao.com.br/babel/categoria/livraria/?doing_wp_cron=1368974461.0155959129333496093750)

sábado, 18 de maio de 2013

A menina que odiava livros

Eu amo livrarias!

É inexplicável a gostosa sensação de estar numa livraria. Sempre sou feliz quando entro em alguma. Sim, "sou", e não "fico". Passo tempos e tempos dentro dela apreciando uma diversidade de livros. Literatura estrangeira, nacional, obras de Comunicação, Jornalismo e História, livros-reportagem. Revistas, muitas delas de todas as espécies me encantam, especialmente as segmentadas.

Confesso que dificilmente aproximo-me das primeiras estantes, que geralmente oferecem os "livros da moda". Sim, já li "livros da moda" e sempre me arrependi. É triste a sensação de ser ludibriado pelo marketing das editoras, pelas capas suntuosas e propaganda enganosa. Não consigo entender como estes livros vendem tanto! São ruins, supérfluos, perda de tempo, mas há quem goste (no entanto, gosto se discute sim).

Hoje estive na livraria que sempre frequento. Tenho, inclusive, cartãozinho fidelidade. Ela é tão gostosa! Sentirei falta das visitas que vez por outra faço, já que casarei e mudarei de cidade. Sempre que retornar, com certeza, visitarei um dos lugares que mais me fazem feliz: aquela livraria! Não sei ao certo dizer com as palavras mais apropriadas o porquê daquele lugar ser tão bom, só sei que me faz um bem enorme. Eu esqueço o tempo, passo uma, uma hora e meia, quase duas horas só andando, vendo capas, sentindo vontade de adquirir, mas sem poder (ou por falta de dinheiro, ou pela consciência de já ter muitos livros em casa ainda para ler).

O cheiro da loja é diferente. Tem cheiro de coisa boa, de vida. Tem gosto de alegria e me faz sorrir. É terapêutico. É tão reconfortante que fico num misto de excitação e sonolência, visto que, quando me sinto imensamente feliz, inevitavelmente sinto sono! É algo digno de explicação: minha felicidade leva-me a uma gostosa segurança; segurança faz-me sentir sono. Poderia colocar um colchão e dormir por lá. Deve ser gostoso! Acompanhada de tantos personagens, tantos autores, tanta gente boa! Reitero: gosto de obras de qualidade e não suporto sagas vampirescas... Dá para dormir tranquilamente. É só jogar no depósito da loja esses livrinhos de quinta categoria e o bom sono seria garantido.

Passo horas admirando meus livros, minha pequena biblioteca. E se fossem muitos? Seria um problema: parar de admirá-los estaria fora de cogitação. Eu gosto deles, os amo. São os objetos que mais amo nesta vida. Sinto ciúmes, tenho cuidado. Deixo-os limpos e bem arejados. Não gosto de emprestá-los, são preciosos! Sim, egoísmo. Pode ser, mas é o medo de perder.

Livraria, minha querida, jamais esquecerei de você.