sexta-feira, 11 de abril de 2014

Intromissão

Não sou idiota. Não! Não sou idiota!
Nunca vou aceitar os erros dos outros
Sim, são erros! Não vou admiti-los!
Um dia vai entender que é um erro,
Mas quando este dia chegar, será tarde!
Sim, estou em revolta!
Nem a dos farrapos é páreo para mim!
Vulcão estomacal, furacão cardíaco,
Duvidas que resistirei?
Serei Israel perante árabes naqueles seis dias!
Serei russos famintos a expulsar alemães malditos!
Nem a fome, nem a guerra, nem a peste,
Nem o efeito estufa, nem dragões, onças,
Tempestades, raios, trovões, alagamentos,
Nem vinho, nem vida!
Nada me impedirá de resistir!
Porque sei da minha certeza,
E minha bandeira firmarei!
Tão certo quanto existe mar e terra,
Tão certo quanto há diferença entre água e fogo,
Está a minha certeza, sim, estou certa!
Resistirei até o fim, porque sei que estou certa!

(Caline G.)


Atrito

Não se luta contra com o que não se pode.
Ou você desiste, ou você engole.
Aliás, não precisa nem engolir:
Deixa entalado e vai dormir.

Bate raiva, decepção, bate nojo, enganação
Loucuras vividas, pretérito mais-que-perfeito perdido
E tudo se vai engolindo até que se infle,
Cresça, engorde, não aceita, explode.

Não existe explosão sem atrito
[Explosões poderiam ser evitadas]
Mas segue a vida cega
Perde tudo, despedaça, mas nega.

Segue em frente, doente, fraca fome pálida,
Por dentro calabouço, por fora risos, sonhos vindouros
Esta nega o presente; aquele resiste ao presente
E o mais-que-perfeito insiste em não sumir para sempre.

Tomara não exploda
Tomara algo urgente ocorra
E os livre do escuro, da desistência,
do profundo frio
Do que está errado, perdido, finito.

(Caline G.)