quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Crime e Castigo (com spoiler)

Preciosa obra escrita em 1866, por Fiódor Dostoiévski, Crime e Castigo retrata a história de um jovem ex-estudante que trabalhava com tradução para sobreviver. Pobre e distante da família, Raskólnikov morava de aluguel em um dos “cubículos” alugados pela velha Aliena Ivánovna, que tinha uma irmã mais nova a qual explorava.

Sentindo-se oprimido por não ter condições financeiras de continuar alugando o apartamento, Raskólnikov ou Ródia, como era chamado por sua mãe, por dias arquitetou aniquilar aquilo que para ele era o que lhe causava opressão: a proprietária do apartamento. Desesperado, Raskólnikov resolve dar fim à vida da senhoria e acaba por matar também a irmã dela, que por “azar do destino” havia aparecido imediatamente depois do assassinato.

Retratando todo o drama psicológico vivido pelo personagem principal, Dostoiévski expõe de maneira muito célebre o desespero da alma humana quando esta chega ao mais profundo poço do medo, da insegurança e da desconfiança. O efeito psicossomático gerado pela mente perturbada transforma o corpo do personagem em um ser doentio que, detalhadamente descrito pelo autor, transforma-se de um homem apenas mentalmente cansado e perturbado, agora em um novo homem pós-crime, encontrando-se sem ânimo para viver, encurvado até cambaleando pelas ruas tal como um moribundo que espera somente a hora da morte chegar.

Considerada a obra mais importante de Dostoiévski, Crime e Castigo nos faz refletir sobre a dor humana de viver, a necessidade do homem em sobreviver no mundo difícil e hostil. Ao mesmo tempo, enxergamos todo o lado obscuro da mente humana travestida de “coitadismo”, a desculpa que o homem tem para expressar sua revolta da forma mais brutal que existe: a morte. O que mais impacta é saber do não arrependimento do assassino que depois de se tornar réu confesso, mesmo trabalhando forçadamente na Sibéria, ainda assim não havia se arrependido de destruir aquilo que lhe era um tormento. O interessante em Raskólnikov é que Doistoiévski o descreve como um cidadão comum, com família e ações bondosas que por um lado o colocam como o benfeitor de alguns, mas que por um desespero momentâneo descobre no crime uma forma de se livrar de toda a dor que o atormentava.

Muitas vezes discutindo sobre o sistema social, o autor russo, que em vida sofreu demasiadamente com grandes dívidas contraídas ao longo dos anos, utiliza-se das falas e ações dos seus personagens para expor o sofrimento daqueles marginalizados da sociedade, e dos desprivilegiados no meio dos quais o próprio escritor estava incluso. Assim como todas as demais obras de Doistoiévski, a descrição minuciosa da pobreza e do psicológico humano é bem explorada no livro, mostrando por que este autor russo do século XIX continua sendo tão bem quisto e admirado por leitores de todo o mundo. Indispensável obra.

Título: Crime e Castigo
Autor: Fiódor Dostoiévski
Editora: Editora 34
Gênero: Literatura Russa
Páginas: 568p.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Escolha a alegria - porque a felicidade não é suficiente

A Bíblia possui 446 versículos com referências à alegria, enquanto apresenta apenas 124 referentes à tristeza. Foi essa a conclusão a que chegou a escritora Kay Warren depois de uma vasta pesquisa bíblica que desembocou na construção do seu livro “Escolha a alegria – Porque a felicidade não é suficiente”, publicado originalmente em 2012 nos Estados Unidos e lançado este ano no Brasil pela editora Mundo Cristão.

A dificuldade em ser uma pessoa alegre e em desfrutar da alegria que os personagens bíblicos sentiam mesmo em meio a tantas provações fez com que Kay corresse em busca deste sentimento muitas vezes reprimido e mal compreendido por cristãos de todo o mundo. Se há tantas referências à alegria na Bíblia, porque muitos cristãos evitam este sentimento até mesmo o comprando a algo pecaminoso? A vida cristã resume-se a sofrimento sem alegria? O que na verdade é a alegria dentro daquele que é cristão e sofre com as aflições deste mundo?

Por que será que os cristãos enfatizam tanto o sofrimento e esquecem os versículos e histórias bíblicas que nos incentivam e muitas vezes nos ordenam sermos alegres? A felicidade, inerente ao homem salvo, muitas vezes se confunde com a alegria, que na verdade é um comportamento que a Bíblia nos ordena buscar. “Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!”, Fp. 4.4. Os cristãos têm esquecido que Jesus Cristo foi um homem de dores, mas também de alegrias!

Cristo sempre prometeu duas coisas, a primeira, que teríamos aflições (“Não vou enganeis, se a mim me perseguiram, perseguirão a vós também”, Jo. 15.20), e a segunda, que prometeu sempre nos dar ânimo (“No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo!”, Jo. 16.33). A alegria é um dos frutos do Espírito! (Gl. 5.22). Deus deseja que seus filhos sejam alegres! É interessante a observação que Kay Warren faz em seu livro quando expõe Cristo como um homem que experimentou fardos e dores, mas que também vivenciou a alegria, e é isso que ele requer de nós, que estejamos alegres não importando as circunstâncias.

"Não é possível ter um coração alegre sem ter um coração grato. E não se pode ser uma pessoa grata sem experimentar alegria. Os que louvam a Deus sentirão alegria. Os que são alegres agradecerão a Deus. Alegria e gratidão sempre andam juntas", p. 190.

A obra é repleta de reflexões bíblicas, impressões pessoais da vida da autora e é bastante voltado para o público feminino. As mulheres logo se identificarão muitas vezes com a escritora, que usa de seu testemunho pessoal de vida para edificação das leitoras. É um livro simples, porém com tantas verdades que atingem profundamente o coração de qualquer mulher cristã. É simplesmente um livro lindo!

Título: Escolha a alegria – porque a felicidade não é suficiente
Autor: Kay Warren
Editora: Mundo Cristão
Gênero: Vida cristã
Páginas: 216p.