domingo, 4 de junho de 2017

Filosofia e Fé Cristã

Colin Brown é um teólogo de renome internacional com obras traduzidas para o francês, português, romeno, italiano, coreano e chinês. Professor de teologia no Fuller Theological Seminary, nos EUA, também ensina cristologia contemporânea na mesma instituição. O seu livro “Filosofia e Fé Cristã”, da editora Vida Nova, é um verdadeiro achado para quem deseja compreender a visão filosófica que o mundo teve em diversos períodos da História da Humanidade. Mas, melhor que isso, quais marcas que cada filosofia deixou no Cristianismo e como a Igreja Cristã reagiu a essas filosofias. O escritor conseguiu discutir o pensamento de cerca de 450 filósofos dentro do panorama de mil anos.

O interessado pela obra vai começar a leitura descobrindo as raízes do pensamento medieval com Agostinho e a igreja primitiva, passando pela filosofia grega, chegando à metafísica. Depois de passar por Anselmo da Cantuária com seu argumento ontológico, o leitor vai conhecer o pensamento de Tomás de Aquino e chegar aos pensadores da Reforma Protestante. Racionalismo, empirismo, deísmo, iluminismo e ceticismo também são avaliados.

A abordagem de Schleiermcher sobre Deus e a vida, Hegel e seu idealismo, Kierkegaard, e pensamentos de filósofos ateístas e agnósticos não foram esquecidos pelo autor do livro. Teologia liberal, positivismo lógico, existencialismo e o pensamento de Bonhoeffer também são contemplados. Outros autores mais recentes também estão inseridos na obra.

O livro é bastante denso com informações muito valiosas para quem precisa entender melhor o porquê de cada pensamento e como ele afeta a vida dos cristãos. O autor mostra as bases de cada ideologia e como o Cristianismo convive e/ou rebate seu conteúdo e ainda mostra a importância de termos nossa filosofia baseada na Bíblia, não sendo ela tão maldita como muitos cristãos a consideram. A filosofia é importante para a teologia e não se pode deixá-la de lado, pois é com as muitas formas de pensar que podemos ter a certeza que a nossa fé não está alicerçada em vãs filosofias, mas na Verdade, que é Cristo.


Obra com excelente conteúdo, porém, complexo. Não é um livro que se lê rapidamente, mas pode servir como base para estudar aos poucos cada filosofia. Por exemplo, você pode conhecer o pensamento de Tomás de Aquino, compreender suas falhas, seus acertos e entender como esse homem influenciou a sua época. É um livro de estudo, que serve como norteador para o cristão que quer crescer no conhecimento sobre o que é, como ocorre e como influencia a filosofia.

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente

Hercule Poirot está diante do caso mais fascinante de sua história. O improvável homicídio dentro de um lotado vagão de trem sagrou a obra “Assassinato no Expresso do Oriente” como uma das mais emblemáticas da escritora inglesa Agatha Christie. Publicada pela primeira vez em 1934, a história começa num rigoroso inverno em Alepo, na Síria, onde vários turistas embarcavam em trens aos seus respectivos destinos. Em uma época em que poucas pessoas viajam a turismo, o detetive Hercule Poirot estranhou a quantidade de pessoas naquele expresso.

Havia gente de todas as classes sociais e de várias nacionalidades, incluindo um misterioso homem que, ao saber quem era o belga investigador, fez uma proposta para que o detetive pudesse descobrir quem estava querendo matá-lo. No entanto, Poirot não aceitou a proposta, principalmente por achar o tipo do homem um tanto perigoso.

No vagão Istambul-Calais havia passageiros como uma princesa russa, velha americana, governanta inglesa, mulheres francesas, coronel inglês e jovens americanos que se misturavam de alguma forma no meio daquele vagão. Em certo momento, o Expresso do Oriente para por causa da intensidade da neve e, com a cena melancólica do frio, vem a descoberta: o homem misterioso encontrava-se morto em seu próprio quarto. Vários golpes acertaram o passageiro que estava completamente dopado no momento do crime.

Só depois do homicídio, Poirot descobre quem de fato era o misterioso homem: responsável pelo sequestro de uma criança americana de cinco anos, filha de uma famosa artista. Antes de receber o valor exigido, ele matou a menina, mas conseguiu escapar da Justiça. Por causa da tragédia, a mãe da garotinha, que estava grávida, não aguentou de tristeza e acabou morrendo, antes mesmo de dar à luz. Seu marido não suportou a situação e cometeu suicídio. Com a tragédia de repercussão nacional, uma governanta foi acusada de ajudar o sequestrador no crime, mas acabou se sentindo injustiçada e também cometeu suicídio. O responsável por toda essa tragédia passou a rodar o mundo com nome falso, gastando o dinheiro conquistado com os inúmeros raptos realizados por ele. De alguma forma, quem o matou no trem descobriu sua verdadeira identidade.

Roupão vermelho com figuras de dragões, homem baixinho com voz de mulher, a janela do quarto da vítima aberta, punhal ensanguentado na mala de passageira, isqueiro de charutos, um estranho invasor no quarto da velha americana, um botão de uniforme... Detalhes que não passaram despercebidos pelo famoso detetive compõem todo o enredo da investigação. Nesse momento, todos são culpados ou inocentes? Nada passa sem que seja observado pela perspicácia de Hercule Poirot, cuja fama no mundo todo já garantiria o sucesso no que talvez nenhum outro investigador pudesse conquistar: desvendar o mistério que envolvia o assassinato no Expresso do Oriente.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Livro reúne 28 contos de Dostoievski, alguns deles inéditos no Brasil

Por Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo*
Se a obra do escritor francês Honoré Balzac consiste em um mosaico de pequenos mundos ao retratar as diversas camadas da sociedade, o russo Fiodor Dostoievski (1821-1881) mirou a intimidade e desvendou como nenhum outro a alma humana. “Dostoievski é tão grande”, escreveu o filósofo Nikolai Berdiaev, “que por si só basta para justificar a existência do povo russo.” Romancista-filósofo por excelência, ele talhou uma literatura que trata dos grandes problemas humanos, tornando-se o símbolo de um monumento à consciência. Antecipando Kafka e também tecendo a teia de toda uma literatura que passou por Machado de Assis e chegou a Albert Camus e Samuel Beckett, Dostoievski influenciou autores de todos os idiomas com obras como Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamazov. E não foi apenas nos romances que o russo disseminou imagens que projetam a desumanização do homem – também os textos curtos despontam como um autêntico laboratório de criação.

É o que se nota no volume Contos Reunidos, lançado agora pela Editora 34. Trata-se de uma seleção de 28 contos, desde o primeiro que escreveu (Como É Perigoso Entregar-se a Sonhos de Vaidade, publicado em 1846 e até então inédito no Brasil) a O Grande Inquisidor, que saiu em 1880, um ano antes de sua morte. Com organização e apresentação de Fátima Bianchi, professora da USP, o livro oferece uma ampla definição de “conto”, pois inclui também breves novelas, narrativas autônomas dentro de romances e peças jornalísticas com viés ficcional. 

“Encontramos em sua obra uma realidade social e humana extremamente complexa, marcada pela instabilidade, pela ruptura de tradições, pela destruição de antigos valores morais e espirituais e a inexistência de valores alternativos”, observa Fátima Bianchi, no texto de apresentação. “Segundo o estudioso russo G. K. Schénnikov, ele percebeu que ‘não eram apenas as relações entre as pessoas, as formas de prática social, os interesses que mudavam, mas também a noção do homem sobre si mesmo e o seu lugar no mundo’. Daí sobressair-se em sua obra uma caracterização da realidade tão aparentada do ‘caos’.”

Dostoievski foi diretamente influenciado pelas agruras pessoais e especialmente pelas novas relações sociais introduzidas pelo capitalismo que marcaram a Europa e a Rússia, naquele século 19. Fiodor Mikhailovitch Dostoievski nasceu em um pequeno hospital de Moscou onde seu pai, homem carrancudo, trabalhava como médico. A morte da mãe por tuberculose, 16 anos depois, provocou o início de uma difícil relação com o pai. O sensível Fiodor sofreu com essa convivência, que se consumou com um drama familiar: o assassinato do pai, por dois de seus servos, quando o escritor tinha 18 anos.

“Dostoievski desde o início procurou expressar um ponto de vista original sobre o homem, ao estabelecer para si a tarefa de decifrar os enigmas de sua alma”, comenta Fátima. “Ele anunciou várias vezes que o objetivo fundamental da suas aspirações era o estudo do homem na sua essência profunda. Numa carta a Mikhail, seu irmão e confidente, escrita aos 18 anos de idade, ele define a orientação básica de suas futuras buscas criativas: ‘O homem é um enigma. É preciso decifrá-lo, e ainda que passe a vida toda para decifrá-lo, não diga que perdeu tempo; eu me dedico a esse enigma, já que quero ser um homem’.”

Essas tragédias pessoais, de toda forma, levaram o jovem Fiodor a se apegar ainda mais à religião. Mas Dostoievski jamais demonstrou, por exemplo, a ironia revelada por Tolstoi pelos temas cristãos – o elemento mais importante da literatura de Dostoievski é a liberdade espiritual e a possibilidade de escolha entre Deus e o Mal. A culpa, no entanto, sempre esteve presente no caráter do escritor, ciente de que o homem frequentemente fracassa ao fazer tal escolha.

“Incontestavelmente, a compaixão profunda para com o sofrimento e a humilhação tornaram Dostoievski um dos maiores escritores humanistas da literatura mundial”, afirma Fátima. “Há uma sensação de dor presente em toda a sua obra, desde a primeira até a última, até nas circunstâncias mais inusitadas, como um sentimento dominante, que surge de um mal generalizado existente na sociedade, na natureza humana e em todo o universo.”

Desde sua estreia na literatura com Gente Pobre, em 1846, Dostoievski trabalhou com os aspectos inaceitáveis do homem: os maléficos. Na primeira fase da carreira, havia, como um constante pano de fundo, o socialismo utópico, de inspiração cristã, que se expressa na paixão lírica pelos mais pobres. “Sem maiores cerimônias, Dostoievski passa do humor e da farsa ao grotesco e ao sublime”, afirma o também pesquisador Samuel Titan Jr., no texto da orelha do livro. “Volta e meia, o resultado é desnorteante, tanto pelo engenho verbal como pelo empenho encarniçado em chegar ao cerne humano e histórico das situações e personagens em cena.”

Decisivo como laboratório literário, o conjunto de contos revela a compaixão profunda para com o sofrimento e a humilhação que tornou Dostoievski um dos maiores escritores humanistas da literatura mundial. Contos Reunidos traz cinco textos totalmente inéditos no Brasil: Como É Perigoso Entregar-se a Sonhos de Vaidade (1846), Pequenos Quadros (Durante uma Viagem) (1874), Plano Para uma Novela de Acusação da Vida Contemporânea (1877), O Tritão (1878) e Domovoi, conto inacabado que faria parte de Histórias de um Homem Vivido, mas Dostoievski não o publicou em vida – o texto foi encontrado após sua morte.

CONTOS REUNIDOS
Autor: Fiodor Dostoievski
Organização e apresentação: Fátima Bianchi
Tradução: Priscila Marques e outros
Editora: 34 (552 págs., R$ 89)

TRECHO
“Agora, estamos entrando no vagão. Os russos da intelligentsia, quando estão em público e em grande número, sempre são objeto de curiosidade para um observador interessado em aprender, ainda mais numa viagem. Nos vagões, as pessoas dificilmente conversam entre si; nesse sentido, são particularmente característicos os primeiros momentos da viagem. Todos estão como que indispostos em relação aos outros, todos se sentem desconfortáveis; trocam olhares de uma curiosidade desconfiada e invariavelmente misturada com hostilidade, ao mesmo tempo, fingem não notar e nem querer notar a existência uns dos outros.

Nos setores do trem onde ficam os membros da intelligentsia, os primeiros instantes de localização do assento e início da viagem são instantes de verdadeiro sofrimento, impossíveis em qualquer outro lugar”." (De ‘Pequenos Quadros (Durante uma Viagem)’)

Extraído de http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-reune-28-contos-de-dostoievski-alguns-deles-ineditos-no-brasil,70001739048

quinta-feira, 2 de março de 2017

Conheça a arte quase perdida dos restauradores de livros

Kirk Johnson, 
The New York Times (POR ESTADÃO)*

Às vezes um livro recebe tanto amor que se desintegra. Uma Bíblia ou uma cópia de O Menino do Dedo Verde, por exemplo, só podem ser abertas um certo número de vezes – mesmo nas mãos dos leitores mais gentis – antes que a lombada fique fraca e se desmanche.

O restaurador Donald Vass
(foto: Ruth Fremson/The New York Times)
Mas aqui vai um segredinho: as bibliotecas públicas, apesar de sua paixão silenciosa pela palavra escrita, são ambientes inóspitos. Máquinas que organizam livros automaticamente, esteiras que levam as publicações de um lado para o outro e as caixas de devolução podem machucar os livros e diminuir sua vida útil.

Donald Vass, que passou 26 anos remendando livros no Sistema de Bibliotecas do Condado de King, na região de Seattle (EUA), viu todos os tipos de danos causados por seres humanos, máquinas e o que mais pudermos imaginar. Aos 57 anos de idade e se aproximando cada vez mais da aposentadoria, ele acredita que será o último encadernador tradicional em tempo integral a pegar a agulha, a linha e os pincéis na cidade. Essa é uma habilidade que exige muitos anos de prática, afirmou, e ninguém está sendo treinado para substituí-lo “na restauração”, a Sala 111 no centro de serviços da biblioteca, onde há poucos anos trabalhava uma equipe de 10 pessoas.

Sua arte é antiga e, em muitos sistemas de bibliotecas públicas, está em vias de desaparecer. O choque é especialmente grande em Issaquah, que fica em uma região onde a Amazon reinventou o setor editorial e está à frente de um boom de novas tecnologias. A Biblioteca Central de Seattle ficou pronta em 2004 e localiza-se em um prédio ultramoderno. Engenheiros de software, muitas vezes ainda com os cartões de identificação de suas empresas pendurados no pescoço, enchem os cafés e bares do local.

Vass afirma que levou 15 anos para aprender as habilidades necessárias para restaurar livros: como identificar seus problemas, quais partes podem ser remendadas e quais devem ser deixadas como estão, além de como esconder as evidências de um reparo. Ele utiliza seringas para injetar pasta de trigo nos cantos das capas duras para deixá-las mais firmes, prendendo as páginas em uma prensa até o adesivo secar.

Ele fala dos livros que restaurou – de 60 a 80 por mês – como se fossem crianças prestes a cair em um mundo perigoso e imprevisível.

“Muitas vezes reluto em enviá-los ao mundo, porque sei o que eles vão enfrentar”, afirmou Vass, um homem de fala mansa que se acostumou a trabalhar sozinho.
As salas de restauração, apelidadas de hospitais de livros, já foram uma parte comum de bibliotecas públicas em todo o país. Contudo, a revolução digital, pressões para controlar custos e mudanças nos hábitos dos leitores levaram muitas delas a deixar de lado os exemplares impressos e a manutenção de velhos clássicos. Através da internet é cada vez mais fácil achar livros usados pra substituir os que estão velhos demais, além de conseguir empréstimos por meio de sistemas interbibliotecas.

“Já não consertamos mais os livros, essa é uma arte perdida. Era uma questão do que poderíamos abrir mão, além de que a tecnologia está tomando conta de muita coisa”, afirmou Alan Hall, diretor da biblioteca pública dos condados de Steubenville e Jefferson, em Ohio, nos últimos 33 anos.

Até mesmo a palavra emendar está desaparecendo, afirmam os bibliotecários. O termo é “conservação”, quando se trata de um trabalho altamente especializado, ensinado em cursos de graduação em lugares como a Universidade de Nova York e a Universidade de Delaware. Quem se forma nessas faculdades encontra trabalho em arquivos do governo, centros de pesquisa nas universidades e em alguns sistemas de bibliotecas públicas com mais recursos econômicos, como a Biblioteca Pública de Nova York, além de lojas de arte que dão vida nova àquela velha cópia de Grandes Esperanças que pertencia a sua avó, pela bagatela de US$ 500 por hora de trabalho.

“Os serviços de conservação passaram por um processo de profissionalização”, afirmou Stephanie Lamson, diretora de serviços de preservação das Bibliotecas da Universidade de Washington. Agora a tecnologia tem um papel ainda mais importante, substituindo algumas das tradições de restauração de livros que se baseavam no aprendizado e na prática.

“É um curso muito interdisciplinar, envolvendo uma ampla gama de técnicas, desde a microscopia até as imagens digitais”, afirmou Stephanie por e-mail.

Os livros estão em transformação há ainda mais tempo, afirmou Vass, a partir do início do século 19, com o aumento da alfabetização e o surgimento de um mercado de massa – a era dos folhetins –, que levou a uma transição da encadernação tradicional para o uso de colas muito mais baratas.

Porém, essas colas antigas eram bombas relógio ácidas que consumiam os livros vivos, afirmou Vass. “As pessoas que fizeram essa primeira encadernação com cola têm muita culpa no cartório”.

Vass, que começou a restaurar livros depois de se formar como artista plástico e pintor, afirmou que sua oficina praticamente não conta com ferramentas modernas e também não precisa de nada disso. “Computadores não servem para nada aqui – só para atrapalhar o trabalho”, afirmou.

Sua máquina predileta é uma chapa de corte feita de ferro fundido e que antes servia para cortar caixas de papelão em uma fábrica de doces. Fabricada no início do século 20, a chapa corta as capas de reposição com precisão milimétrica. Ele a comprou em um leilão, coberta de sujeira e poeira, por US$ 50 e a restaurou.

O único intruso tecnológico permitido na sala é o controle remoto do aparelho de CDs que fica sobre a bancada. Mas as músicas que saem das duas caixinhas de som penduradas sobre a porta também não estão em consonância com o mundo moderno.

Vass gosta de música medieval e do Renascimento, e escuta peças etéreas para coral escritas por compositores como Christopher Tye, que viveu na Inglaterra do século 16, ou Jehan de Lescurel, poeta e compositor francês do século 15, criando o que Vass afirma ser uma “harmonia perfeita” com seu trabalho. A obra de Johann Sebastian Bach, que compunha no século 18, é uma das raras exceções ao Top 40 de Vass, que prefere obras compostas entre o século 13 e 16.

“Para mim, Bach é praticamente moderno”, afirmou Vass com um sorriso no rosto.
O amor pelos livros é visível em toda a sala – assim como o desejo de protegê-los do tratamento brutal do mundo exterior. Os danos causados pelas máquinas organizadoras, por exemplo, levou Vass a criar capas de papelão para os livros reparados, servindo como uma espécie de armadura.

Os frequentadores da biblioteca, preocupados com o estado se seus livros, ou tristes pelos danos causados a algum volume – que muitas vezes guardam desde a infância – procuram Vass e pedem ajuda. Quando o tempo permite, ele conserta os livros sem cobrar nada por isso, considerando-os projetos paralelos nos quais tem a oportunidade de aperfeiçoar suas habilidades.

Às vezes as palavras saltam dos volumes em que trabalha, na voz de um autor que geralmente morreu há muitos anos. Uma dessas citações ocupa um espaço central em sua mesa de trabalho: “Qualquer que seja a dificuldade, encontro seu sentido e ela deixará de ser uma dificuldade”.

Ele não se lembra mais de onde a tirou, nem quem é o autor, mas sabe que o livro continua por aí, restaurado e pronto para sobreviver a mais um dia.


*Extraído de http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,conheca-a-arte-quase-perdida-dos-restauradores-de-livros,70001680722

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

O menosprezo pela literatura

Só quem entende a importância da literatura é realmente quem a lê. Uma pessoa me disse que literatura era perda de tempo e, por isso, só lia livros técnicos. Quanta ignorância! É pela literatura que enxergamos diferentes formas de ver a vida, diferentes formas de expressão da língua e conhecemos até mesmo histórias verdadeiras (muitas vezes contadas nas entrelinhas). Pela literatura conhecemos como são e como eram as cidades, a vida cotidiana, a cultura e a geografia dos lugares, conseguimos desenvolver nossa comunicação, nossos pensamentos e nossa escrita.

Os livros técnicos não chegam nem aos pés do que a literatura pode desenvolver na mente humana. Não se pode comparar, cada um tem sua finalidade. Literatura é arte, livro técnico não. Mas, o que esperar de um país que mal sabe o que é Arte? Onde seus habitantes confundem pichação com pintura e pornografia com música? Já fui à Rússia e voltei algumas vezes, mas isso foi em séculos passados. Conheci a cultura dos anos de 1800 daquela nação através de Dostoiévski, meu escritor favorito – que por sinal foi analisado anos mais tarde não poucas vezes pelo pai da psicanálise, Sigmund Freud. “Memórias do Subsolo”, uma das obras mais interessantes de Dostoiévski – literatura pura – é, por vezes, associado aos estudos de psicanálise de Freud sobre o inconsciente humano.

Saindo da Rússia, não poderia deixar de lembrar a profundidade dos poemas de Manoel de Barros. “Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro/Para mim poderoso é aquele que descobre as insignificâncias (do mundo e as nossas)/Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil/Fiquei emocionado/Sou fraco para elogios”. O que são as insignificâncias da vida? Palavras tão singelas, poemas que brincam com as expressões, com os pensamentos, que esbanjam reflexões, sinceridades e bom-humor. Literatura que ajuda na formação do leitor, poemas que tocam a alma, que oferecem outra visão de mundo.

Não menos importantes temos os romances policiais que aguçam a criatividade, o raciocínio lógico e a imaginação. Sherlock Homes e Hercule Poirot são personagens que dificilmente serão esquecidos pelos amantes do gênero literário. Raphael Montes, escritor brasileiro dessa nova geração, está despontando com romances policiais. Com apenas 26 anos, seu segundo romance, “Dias Perfeitos”, já foi publicado em 14 países incluindo Estados Unidos, Inglaterra, Espanha, Holanda, Itália e França. Essa obra, assim como “Suicidas”, teve os direitos vendidos para adaptação para o cinema. A editora brasileira “Oito e Meio” recebeu durante campanha realizada pela internet, em menos de trinta dias, 600 originais de jovens escritores para serem publicados. A nova geração de estudantes está gradativamente lendo mais e amando mais a literatura.

Não dá para ignorar a importância disso. Qualquer decisão que tente diminuir o valor dessa arte é caminhar ao contrário das necessidades dos próprios leitores brasileiros, especialmente a juventude. É menosprezar o trabalho dos jovens escritores e se expor como um ser totalmente ignorante a respeito do assunto. Embora ainda existam aqueles que acreditam que os livros técnicos são mais importantes que a literatura, esse pensamento distorcido está gradativamente mudando. É uma pena saber que tem tanta gente ainda com uma visão tão pífia quanto à literatura e mais triste ainda é perceber que tipo de (des)educação tem sido oferecida aos brasileiros. Precisamos “reformar”, sim, mas que seja para melhor.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Duas narrativas fantásticas

Publicada pela primeira vez na revista mensal “Diário de um escritor”, em 1876, “A Dócil” relata o conturbado casamento entre uma jovem de 16 anos e o dono de casa de penhores na faixa de seus 40 anos. Considerada uma pobre moça, necessitada de tudo, a “dócil” mostra que toda doçura tem seu lado cruel e, ao mesmo tempo, inocente. Sem saber o real motivo de seu suicídio, o marido se torna refém de seus questionamentos sobre o que a levou à morte e acaba tendo algumas conclusões pela lembrança do olhar dela em determinadas conversas.

A vontade de saber se a esposa o amava o não, se o desprezava ou não, se tudo era uma mentira ou não. Ele estava lá, parado, na frente do corpo da mulher que ele adorava quase que com veneração. Aquela mulher amável que chegou a apontar um revólver para sua cabeça enquanto dormia. Por quê? Havia um por quê? Gestos, olhares, situações, tudo o que há de mais corriqueiro Dostoiévski leva em consideração na história de seus personagens. Detalhes dos pensamentos, das dúvidas, o contraditório humano e suas necessidades mais íntimas.

Já em “O Sonho de um homem ridículo”, publicado pela primeira vez em 1877, o escritor russo expõe a decadência da Humanidade. O homem que se considera ridículo por ele mesmo e pela sociedade teve um sonho em que depois da morte iria para um lugar onde encontrou pessoas que amavam por amar, viviam por viver e eram felizes. Até que algum fator externo, que o sonhador considera ele próprio, corrompe esses seres imaculados que passam a desejar o melhor para si próprios e não mais para o próximo. A sociedade decadente envolta pelo egoísmo, egocentrismo e pela falta de amor é tema desta narrativa.

As duas novelas expõem um escritor mais maduro, seguro do comportamento sempre contraditório de seus personagens, que brinca com maestria com a personalidade humana, como o grande mestre da psicanálise ficcional.

Título: Duas narrativas fantásticas: A Dócil e o Sonho de um homem ridículo
Autor: Fiódor Dostoiévski
Gênero: Ficção russa
Editora: Editora 34
Páginas: 128

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Livro refaz trajetória do compositor Shostakovich sob o jugo de Stalin

Por André de Leonês – ESTADÃO*

Três momentos extremamente delicados da vida do compositor russo Dmitri Shostakovich (1906-1975), nos quais ele manca “cautelosamente de uma ansiedade para outra”, servem como espinha dorsal para o estupendo O Ruído do Tempo, romance do premiado autor britânico Julian Barnes. Aqui e ali, o leitor se depara com o protagonista à mercê do moedor de carne humana que era o Estado Soviético, obrigado a silenciar ou a falar em prejuízo de outros, colocando-os em situação semelhante ou pior, ou - o que pode ser o mais terrível - a simplesmente compactuar.

O primeiro dos tais momentos se dá em plena década de 1930, quando Stalin tratava de perseguir, prender, torturar e assassinar todos aqueles que julgava “subversivos” - palavra tão genérica que, no contexto de uma máquina totalitária, consegue abarcar qualquer um que desagrade ao ditador ou seja por ele antagonizado. O “crime” de Shostakovich foi compor Lady Macbeth de Mtsensk, ópera baseada na novela de Nikolai Leskov e que obteve enorme sucesso, pelo menos até que Stalin foi assisti-la e não gostou. É a senha para que a imprensa oficial (única que havia) crucifique o compositor, atacando sua obra como “apolítica e confusa”, capaz de despertar “o gosto pervertido dos burgueses com uma música inquieta e neurótica”.

Chamado a prestar contas às autoridades, logo percebe que a farsa é ainda maior: menos que ele, estão empenhados em trucidar seu protetor, o marechal Tukhachevsky, a quem deve implicar num suposto (e falso) complô para assassinar Stalin. No entanto, antes que Shostakovich possa ser levado a “colaborar”, o moedor de carne humana se ocupa da pessoa que o interroga, vitimado por uma intriga similar. A ironia da situação é desesperadora.

No segundo momento, a pedido do próprio Stalin, ele viaja a Nova York com uma comitiva a fim de comparecer a um certo Congresso Cultural e Científico para a Paz Mundial. O tempo dos expurgos já passou, bem como a Segunda Guerra Mundial, mas o clima ainda é sufocante. “A paz tinha voltado, e, portanto, o mundo estava outra vez de cabeça para baixo”, escreve Barnes. Um exemplo: no momento em que Stalin o intima a viajar como “representante cultural” e na condição de maior compositor russo, sua música estava de novo proibida na União Soviética.

Por fim, na terceira e última parte do romance, já sob o governo de Nikita Kruchev, as coisas mudam um pouco, mas não se tornam menos perigosas: “Antes, havia morte; agora, havia vida. Antes, os homens borravam as calças; agora, podiam discordar. Antes, havia ordens; agora, havia sugestões. Então as Conversas com o Poder se tornaram, sem que ele se desse conta, mais perigosas para a alma. Antes, tinham testado a extensão da sua coragem; agora, testavam a extensão da covardia”. Assim, o mais impressionante é que a humilhação final não venha por meio de avisos, censuras, interrogatórios ou ameaças, mas com uma nomeação: engolido e mastigado pela engrenagem, Shostakovich se vê obrigado a aceitar o cargo de presidente da União de Compositores da Federação Russa, o que implica sua filiação ao Partido, coisa de que sempre se escusou.

“E agora, finalmente, depois que o grande terror havia passado, vieram em busca de sua alma”: com mais essa ironia dolorosíssima, a capitulação derradeira, o “suicídio moral” que faz com que Shostakovich prescinda do suicídio físico, Barnes coroa uma obra magistral sobre a devastação anímica causada desde sempre, e até hoje, pela opressão político-ideológica. Visto dessa forma, e tendo em perspectiva os dias atuais, O Ruído do Tempo ganha ainda mais corpo e relevância. O divórcio entre a arte e a verdade é o sintoma da doença não só do artista, mas também do povo que ele integra e há que se tomar cuidado para que o ruído do título não seja o daquele moedor de carne humana, que persegue, oprime e silencia.

TRECHO
“A arte pertence a todos e a ninguém. A arte pertence a todos os tempos e a nenhum tempo. A arte pertence aos que criam e aos que desfrutam. A arte não pertence ao Povo e ao Partido, assim como nunca pertenceu à aristocracia e aos patronos. A arte é o sussurro da história, ouvido acima do ruído do tempo. A arte não existe em benefício da arte; existe em benefício do povo. Mas qual povo, e quem o define? Sempre pensara que a própria arte era antiaristocrática. Compunha, como os difamadores afirmavam, para uma elite burguesa cosmopolita? Não. Escrevia, como os difamadores desejavam, para o mineiro de Donbass, cansado de trabalhar e precisando de um estímulo? Não. Compunha música para todos e para ninguém. Compunha para aqueles que melhor apreciavam a música que escrevia, independentemente da origem social".

Título: O Ruído do Tempo
Autor: Julian Barnes
Gênero: Romance
Editora: Rocco
Páginas: 176


*Extraído de: http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,livro-refaz-trajetoria-do-compositor-shostakovich-sob-o-jugo-de-stalin,70001661526

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Os elefantes não esquecem

Hercule Poirot, instigado por uma famosa escritora de romance policial, Ariadne Oliver, desvenda o mistério por trás de uma tragédia que aconteceu em família e chocou a cidade. Cerca de 13 anos se passaram e, oficialmente, a polícia deu o caso por e encerrado concluindo duplo suicídio. Um casal apaixonado teria realmente feito pacto de morte?

A senhora Oliver vai em busca de “elefantes”, já que eles “nunca esquecem”. Pessoas nunca esquecem, guardam em suas memórias vestígios de histórias, mesmo que sejam apenas especulações. Juntando as informações coletadas pela senhora Oliver, muito amiga do investigador belga Poirot, com as suas próprias investigações, chega-se a uma conclusão nada convencional.

O interessante de se ler Agatha Christie é que não há nada irrelevante nos detalhes no decorrer da obra. Tudo é milimetricamente calculado pela autora e todos os detalhes acabam se encaixando no final da história. Com a maestria de uma experiente autora de romance policial, o leitor pode contar com uma história bem interessante e com mais um mistério resolvido por um dos investigadores mais famosos do mundo.

Título: Os elefantes não esquecem
Autor: Agatha Christie
Gênero: Romance policial
Editora: Coleção Pocket da L&PM
Páginas: 248

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Em 'A Palavra Algo', Luci Collin usa sua poesia do caos e desassossego

Afirma Roland Barthes: “Quando eu leio, acomodo: não só o cristalino dos meus olhos, mas também o de meu intelecto, para captar o bom nível de significação (aquele que me convém)”. Barthes conclui que “é somente ao olhar o infinito que o olho normal não tem necessidade de acomodar-se”. Poderíamos comparar esse olho que contempla o infinito com o olho do poeta, que não se submete à acomodação. O olho do poeta seria como aquele descrito em A Palavra Algo (Iluminuras, 2016), o mais recente livro de poesia de Luci Collin, ou seja, o olho que “imagina entre migalha e galáxia” e que chega ao “deslumbramento daquele que inaugura adornos”.

De fato, o poeta não é um acomodado. Segundo D. H. Lawrence, o poeta precisa do caos, diferentemente do homem comum que “não pode viver no caos o homem precisa embrulhar a si mesmo numa visão, fazer uma casa com uma forma visível e com estabilidade, com fixidez”. Por isso, prossegue Lawrence, “o homem constrói um edifício assombroso a partir de si, erguido entre ele e o caos selvagem, tornando-se, gradualmente, empalidecido e asfixiado sob o tecido do guarda-sol. Então vem um poeta, o inimigo das convenções, e faz um rasgão no guarda-sol; e vejam! O lampejo de caos é agora uma visão”.

A poesia de Luci, como se lê em seu último livro, “é metal precioso é metal nobre agarrado aos detalhes e ao insubmisso”. Portanto, com sua palavra metal, ela vai rasgando os guarda-sóis que nos protegem do caos e com seus versos “comete danças estapafúrdias” e assim “inaugura a temporada do pasmo”.

Luci deseja o caos que, no seu livro, irrompe não só das imagens de seus versos, mas também da miscelânea de poemas díspares que o compõe: poemas que vão da metalinguagem a citações e à mera cópia de frases banais. Poesia, lembra Luci em um de seus versos, talvez seja, de todos os discursos, “o mais movediço o mais plástico”.

Nos poemas que versam sobre o fazer poético da autora, lê-se que “o discurso é para ser longo e nítido/ mas a tinta borra hesita/ ela mesma tem lapsos/e talvez falsifique as cenas em seu arredamento de pávida lembrança”; ou “as palavras que se alcançam/ são o esquecimento das figuras/ que descem degraus na pressa/ do inédito”.

O poema Grande Fome “anuncia” paródias anteriores e posteriores que se insinuam, mas não se concretizam - “essa maquiagem máscara e as paródias que insinua/ espantam as cirandas já escassas/ e a pressa rega uma semente/ sifilítica” -, dando um calço nas expectativas do leitor. Luci não parodia explicitamente, mas cita diversos poetas como Fernando Pessoa, Mallarmé, Casimiro de Abreu. Nessas citações, a poeta parece ter encontrado “a amenidade do velho e a agitação de um menino ao repetir gestos que duplicam o pouso”. E Luci duplica o voo desses poetas. Em A Palavra Algo, Autopsicografia, de Fernando Pessoa, se transforma em Deveras e assim inicia: “O poeta finge/ e enquanto isso/ cigarras estouram/ pontes caem/ azaleias claudicam”.

Luci se vale também de frases banais, provavelmente lidas em placas espalhadas pela cidade, e com elas constrói o poema Orçamento Sem Compromisso, no melhor exemplo de “escrita não criativa” contemporânea: “Compro ouro/ Cobrem-se botões/ Compro e vendo cabelo/ X-calabresa/ Porção e executivo/ Piso escorregadio”. A poeta não “se incomoda” em não ser criativa, parece saber que, como se lê no poema Imortalha, “todos os termos foram inventados”.

A Palavra Algo é um livro ágil, variado e humorado. Revela uma poeta em busca do caos, mas, ao mesmo tempo, temerosa do caos; por isso se mantém fiel a formas e técnicas, pois, como diz D. H. Lawrence, “o desejo do caos é a respiração de sua poesia. O medo do caos está no desfile de formas e técnicas”.

A PALAVRA ALGO
Autor: Luci Collin
Editora: Iluminuras (112 págs., R$ 35)

Extraído de: http://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,em-a-palavra-algo-luci-collin-usa-sua-poesia-do-caos-e-desassossego,70001644373 
 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Editoras apostam em clubes de leitura e até em vaquinhas após o fim das compras do governo

Por Bruno Molinero, repórter da Folha de São Paulo*

Era uma vez um grupo de empresas e uma galinha dos ovos de ouro que permitia a todas ganharem muito dinheiro. Mas um belo dia a ave mágica desaparece, e muitos dos que viviam às suas custas começam a passar fome e a ter de se virar para sobreviver.
Se a história das editoras brasileiras especializadas em obras para crianças fosse um conto de fadas, ele seria mais ou menos desse jeito. Só que, no lugar da galinha dourada, estariam o governo brasileiro e as suas generosas compras de livros. As aquisições podiam chegar a milhares de exemplares de cada título e render milhões de reais todos os anos às empresas.
Podiam. Isso porque, principalmente a partir de 2015, as compras governamentais para abastecer bibliotecas e escolas minguaram nas esferas federal, estadual e municipal —até quase desaparecerem com a crise econômica em que o país mergulhou.
“Foi um desmonte no nosso mercado”, diz Daniela Padilha, editora da Jujuba, que desde 2010 lançou 36 livros (na imagem acima, ela aparece em foto na sede da empresa, em São Paulo).
Para se ter uma ideia do tombo, de acordo com dados da CBL (Câmara Brasileira do Livro) e do Snel (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), 2014 produziu 37,3 milhões de exemplares de literatura infantil; em 2015, esse número caiu para 12,5 milhões.
“Mas há uma parte boa. As editoras agora precisam diversificar as suas atuações para fechar as contas e continuar publicando”, afirma Padilha. A Jujuba espera lançar cinco títulos em 2017.
As companhias que não fecharam as portas começaram a apostar ainda mais na adoção de seus livros por escolas e clubes de leitura, em cursos pagos com autores da casa e até em vaquinhas na internet. Tudo para continuar vivo num mercado com faturamento de R$ 1,56 bilhão em 2016 —sendo que 23% correspondem a obras infantojuvenis ou educacionais, segundo a pesquisa “Painel das Vendas de Livros no Brasil”, do instituto Nielsen e do Snel, divulgada neste mês.

*Extraído de: http://eraoutravez.blogfolha.uol.com.br/2017/01/23/editoras-apostam-em-clubes-de-leitura-e-ate-em-vaquinhas-apos-o-fim-das-compras-do-governo/

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Livros nas Praças registra cerca de vinte mil leitores em 2016

Foto do blog "Leitores Depressivos"
O projeto Livros nas Praças, patrocinado com exclusividade por Lojas Americanas e Americanas.com, encerrou as atividades da temporada 2016 com 19.653 visitantes e totalizou 1.633 empréstimos de livros, sendo 1.598 devoluções, o que significa que somente 2,14% dos livros não foram devolvidos. Nas 29 semanas, de abril a dezembro, a biblioteca sobre rodas esteve presente em 14 comunidades e vilas olímpicas do Rio de Janeiro, com estreia no Instituto Benjamin Constant, e ainda em dois municípios de São Paulo, circulando pela Bienal Internacional do Livro.

Nas visitas, além dos empréstimos e disponibilidade para leitura no ônibus, os visitantes puderam acompanhar apresentações de dança, teatro e bate-papos com escritores e autores. O ônibus-biblioteca vermelho oferece um acervo de 2 mil títulos infantis, juvenis e adultos. Entre os títulos mais procurados pelas crianças e adolescentes estão: “Percy Jackson”, “O Diário de um Banana”, “Harry Potter” e “Maria Passarinho”. Já os adultos preferem “A Vida Além da Vida” e “Águas para Elefantes”. Os frequentadores do Livros nas Praças são em sua maioria jovens, entre 8 e 16 anos. E, deste universo, as meninas com idade entre 13 a 15 anos representam o maior número de leitores.  

O ônibus vermelho conta também com 60 livros de ilustrações em braile para crianças, livros em fonte ampliada para pessoas com baixa visão, audiobooks para deficientes visuais e 30 livros em braile para adultos. Também possui cadeira de transbordo, própria para cadeirantes e idosos com dificuldades de subir a escada de acesso. O projeto Livros nas Praças é uma das ações de responsabilidade social da Lojas Americanas e da Americanas.com.

Fonte:Texto da assessoria de comunicação das Lojas Americanas.